Saúde Mental no Ambiente de Trabalho

Publicado em:  25/04/2018

28 de abril é o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, data instituída pela Organização Mundial do Trabalho (OIT). No Brasil, também é o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho.

Para falar sobre o assunto, o Ministério do Trabalho lançou em abril a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho e um dos temas em destaque é a Saúde Mental dos trabalhadores e fatores psicossociais de risco.

De acordo com o Ministério do Trabalho, cerca de 17,5 mil novos casos são registrados por ano. A depressão e a ansiedade respondem por 49% desse total, e as reações ao estresse grave, por 44%. As atividades econômicas com pior situação em relação à saúde mental são serviços financeiros, transporte terrestre, alimentação, vigilância, segurança e investigação, telecomunicações, atenção à saúde humana, administração pública, defesa e seguridade social e fabricação de produtos alimentícios.

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a depressão será o maior motivo de afastamento do trabalho no mundo até 2020. No Brasil, cerca de 5,8% da população tem a doença, o que faz do país o campeão de casos na América Latina. No caso da ansiedade, o número de brasileiros que apresentam sintomas da doença chega a 9,3%.

No Brasil, os casos de afastamento por doença do trabalho cresceram cerca de 25% entre 2005 e 2015, atingindo 181.608 pessoas, segundo informações publicadas no Anuário do Sistema Público de Emprego e Renda do Dieese, com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais). O impacto na economia mundial é de aproximadamente 1 trilhão de dólares por ano. Ainda de acordo com a OMS, existem 23 milhões de pessoas sofrendo com transtornos mentais e que necessitam de algum atendimento em saúde, correspondendo a cerca de 12% da população brasileira.

Embora os números sejam alarmantes, ainda há muitas barreiras a serem vencidas para sensibilizar a população. A primeira delas é vencer o estigma, o preconceito e a falta de informação.

Essas doenças, tão comuns e muitas vezes incapacitantes, são subdiagnosticadas e pouco tratadas. Os traços e sintomas podem aparecer em qualquer fase da vida, tanto na infância quanto adolescência – período marcado por transições, experiências e complicações – ou até mesmo na vida adulta e em idosos. Porém, a maioria das pessoas entende como depressivo aquele individuo acamado e incapacitado de desenvolver as tarefas e funções intrínsecas a vida adulto. Neste ponto há um grande erro de entendimento. Nem sempre o indivíduo deprimido chega a um estado de profunda prostração. Existem estes casos em que a maioria consegue desenvolver suas funções, o que não quer dizer que seja algo fácil. Geralmente a pessoa se encontra em profundo sofrimento e com uma dificuldade gigantesca para conseguir ir trabalhar, participar de eventos e até se levantar da cama, mas por conta das suas responsabilidades, o faz, mesmo diante de tanta dor. Essa situação causa uma grande confusão na cabeça das pessoas que convivem com uma pessoa deprimida, por isso o papel da família se torna essencial para oferecer ajuda médica para que se possa diagnosticar e tratar o paciente.

Além disso, as empresas precisam investir no bem-estar do colaborador e dos seus familiares e desenvolver uma cultura de prevenção que vai muito além de gastos com plano de saúde. As corporações precisam mudar paradigmas, abandonar a cultura da assistência ao trabalhador centrada na doença para investir no estímulo à saúde.


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