APPSIQ cobra explicações sobre interrupção de produção de medicamentos psiquiátricos

Publicado em:  06/03/2020


A Associação Paranaense de Psiquiatria – APPSIQ, instituição representativa dos médicos psiquiatras do Paraná endossa o posicionamento da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP de cobrar as autoridades públicas responsáveis e de se manifestar contrariamente ao grave desabastecimento dos medicamentos Cloridrato de Imipramina e Carbonato de lítio do mercado brasileiro.  

A falta desses medicamentos pode causar uma grande crise na saúde pública e privada do Brasil. Milhões de pessoas utilizam as respectivas substâncias diariamente e a interrupção do tratamento pode causar agravamento de quadros psiquiátricos de diversas patologias, deixando esses pacientes desassistidos e, em casos mais severos, mais propensos ao suicídio.  

Os medicamentos em questão são importantes em diversas doenças mentais e, principalmente, no combate ao suicídio. Tais medicações são extremamente acessíveis ao consumidor e são distribuídos na rede pública de saúde. Entretanto, os fabricantes privados deixaram de produzi-los sem qualquer explicação, por mais plausível que seja. Esta situação provoca diversas consequências graves no tratamento contínuo de pacientes.  

1. Sem os respectivos medicamentos, retirados do mercado de uma hora para outra, o paciente com a medicação estável precisa, então, voltar ao psiquiatra, reiniciando um tratamento que já era eficaz, passando por todos os procedimentos necessários para a receita de uma nova medicação que pode levar meses até a adaptação, bem como gerar transtornos psiquiátricos e financeiros.  

2. Além do processo químico medicamentoso, o paciente fica vulnerável mentalmente à falta do medicamento e oscilação do tratamento até que se encontre o ponto de equilíbrio com uma nova medicação.  

A APSSIQ, em coro com a ABP, questiona a Agência Nacional de Saúde – ANVISA sobre a possibilidade de que os laboratórios públicos brasileiros possam produzir o medicamento a um custo ínfimo, deixando de ficar refém dos grandes laboratórios privados, muitas vezes interessados tão somente no lucro dos produtos.  

Nós, da APPSIQ, representando todos os psiquiatras do Paraná, reiteramos nossa preocupação e aflição em relação a essa realidade e reforçamos nosso compromisso em defender nosso paciente psiquiátrico acima de qualquer interesse econômico ou privado, seja qual for. Aguardamos efetivas e claras respostas bem como alternativas viáveis no intuito de solucionar definitivamente este dilema de milhares de pessoas.  

Júlio Dutra 
CRM-PR: 23.435 
Presidente da APPSIQ




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